Talvez você só esteja cansado mesmo.

Fato : Estamos vivendo na sociedade do cansaço.

Dormir pouco, acordar já cansada(o), sair de casa às pressas, chegar na escola dos filhos em cima da hora, tomar café correndo, enfrentar o trânsito e as pessoas intolerantes nele para ir ao trabalho, muitas vezes vamos em um estado zumbítico com fones no ouvido, sem nem sentir nada.

Passar o dia sobrecarregada(o), lidando com e-mails de clientes, mensagens constantes no celular, executar as tarefas do trabalho pensando nas tarefas domésticas pendentes, problemas surgindo o tempo todo, pensando nas contas para pagar etc. Na volta para casa, novamente o trânsito.

E, chegando, ainda tem que ir ao mercado, enfrentar filas, preparar o jantar, colocar a roupa para lavar, guardar a roupa limpa, lavar a louça, fazer a lição da escola com os filhos, dar uma geral na casa, bem de leve, e quando perceber já passou da hora considerada “ideal” para ir dormir. Uma cervejinha e Sexo? De vez em quando, quando não estivermos tão exaustos (talvez na sexta no sábado ?).

Ler um livro? Idem. Fazer um curso, estudar um idioma, praticar um hobby? Difícil, para não dizer impossível. E, assim, muitas pessoas vivem. No melhor dos cenários, a pessoa vive essa rotina tensa, mas incluiria conseguir pagar todas as contas, comer bem, dar conforto aos filhos e ainda sobrar algum dinheiro para comprar coisas prazerosas, fazer uma viagem diferente nas férias.

Porem esse suposto privilégio não é uma realidade para a maioria de nós que passam pela mesma rotina mas não têm sequer dinheiro suficiente para pagar todas as contas num mesmo mês. O que só agrava essa vontade repentina que temos de jogar algumas coisas para o alto.

Pode ser que a sua realidade seja diferente. E, se for, que bom. Considere-se privilegiada(o). Porque a regra geral no mundo do trabalhador hoje é viver à beira da exaustão. Isso não acontece só no Brasil. É no mundo todo.

E é claro que eu poderia trazer neste post pesquisas e referências acadêmicas para aprofundar todos esses temas, mas não é o foco deste blog (ao menos, não por enquanto). Essa pequena introdução serviu apenas para eu trazer um “conselho” que tenho dados aos meus amigos nos últimos meses, e que fiz uma anotação para trazer para você também, aqui no blog.

Quando colegas desabafam comigo sobre como têm coisas a fazer e sobre como “não dão conta”. Minha abordagem para lidar com esse problema (e que aplico principalmente a mim mesma, quando me sinto assim) é: não dá para organizar tudo. Logo, se o problema é o volume, o volume vem da falta de clareza. Ter clareza significa 1) reconhecer o volume e 2) diminuí-lo, deixando em andamento apenas aquilo que realmente precisa estar em andamento, doa a quem doer (e às vezes dói na gente mesmo, fato).

Eu sei que é difícil assumir que abrigou coisas demais para fazer e que poderia ter abraçado menos. De modo geral, todos nós vivemos hoje em uma era que a idéia de que podemos fazer tudo é vendida o tempo todo, podemos trabalhar em uma empresa 8 horas, e trabalhar num projeto pessoal de madrugada por mais 6 horas, de que podemos ter uma casa perfeita, com uma rotina perfeita, que podemos cuidar do corpo, malhar, meditar, maratonar series, ler todos os livros do momento e ainda acompanhar tudo que acontece nas redes sociais.

Mas o que essa idéia trás escondida consigo é a sobrecarga, sem que a gente perceba, e ela logo se instaura, fantasiada de paixões. É um mix de surpresa e de frustração quando a gente descobre que não da fazer o que gosta e que seu corpo e mente não dao conta de tudo proposto.

Quando isso acontece, a vontade de “largar tudo”, “tocar o f*-se”, é enorme. Por isso, eu trago para você o conselho mais valioso que uso para mim mesma e para os meus amigos quando se sentem assim. O conselho é: se estiver cansada(o), descanse – ao invés de desistir.

Se estiver cansado, descanse primeiro antes de desistir.

É muito fácil e aparentemente libertador pensar em desistir. Parece que todos os problemas vão desaparecer em um passe de mágica, mais ou menos assim como surgiram. Mas chutar o balde nem sempre é a melhor solução para você. E o que eu estou encorajando é que você busque a sua melhor solução, não a mais fácil (nesse caso, o mais fácil pode se revelar péssimo). Se a melhor solução for realmente desistir de algo, tá tudo bem. Mas essa decisão precisa ser tomada direitinho, e não quando você estiver estressada(o) e, muitas vezes, sem conseguir pensar direito a respeito.

Já vi muitas pessoas se livrarem de coisas importantes na vida porque a tralha ao redor as deixou um pouco cegas para a realidade. A tralha nos confunde. Ela pode nos fazer achar, equivocadamente, que aquilo que realmente importa é apenas desejável. Para lidar com o obrigatório, nos desfazemos daquilo que nos faz bem e importa de verdade. O que isso nos torna? Seres sobreviventes. Tirando o prazer da vida, só nos resta lidar com o cinza, e talvez (e muito provavelmente) o cinza fosse o problema.

Tem regra certa? Fórmula mágica? Não, não tem. Uma coisa é certa: cansados, exaustos, não tomamos boas decisões. Por isso, se estiver se sentindo assim, resista à tentação de desistir do que pode ser importante para você. Descanse. Pare tudo o que está fazendo e vá dormir um pouco, ver um filme, dar uma volta.

Se estiver cansada(o), descanse. Não desista. Descansada(o), você saberá tomar melhores decisões, nem que seja amanhã.

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